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sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Sonhos Formosos

(Êxodo 2)

Alyne Thacila Garcia[1]

· Êxodo 1 – Após a saga de José do Egito (o sonhador), com a sua morte, o novo Faraó constatou a fecundidade e o crescimento dos hebreus e, interpretando isso como ameaça ao seu reino, oprimiu-os com trabalho forçado e, ainda não satisfeito, decretou a matança de todos os meninos hebreus recém nascidos.

Semelhantemente, ocorreria também com Jesus Cristo que, ao nascer, seria perseguido por Herodes na chacina que ficaria conhecida como a “matança dos inocentes”. Moisés é, portanto, um tipo do Cristo que haveria de vir e seu percurso histórico, como também o de Cristo, apontam-nos a inevitável confrontação entre o reino de Deus e o dos príncipes deste mundo.

Êxodo 2:2 – “O menino era FORMOSO” – Expressão adequada à beleza de Cristo, ou seja, ao que é inspirado por Deus e está dentro dos planos dEle para o homem.

Sonhos formosos são transcendentes, isto é, suplantam realidades adversas e hostis, extrapolando as limitações conjunturais em suas múltiplas facetas: social, econômica, política e religiosa. Tais sonhos tornam-se projetos gerados, nutridos e cuidadosamente cultivados por mentes e corações que não se conformam com este mundo, mas se conformam aos padrões divinos de intrepidez, ousadia e perseverança até a morte, além de serem estratégica e taticamente executados mediante irrestrita confiança na providência divina.

Há, neste sentido, alguma semelhança entre o povo de Deus e o mundo? Deveria haver mais dessemelhança, na medida em que a nós cristãos é facultada essa capacidade de transcendência da realidade imediata. Nossos sonhos devem ser necessariamente mais espirituais, mais despojados e altruístas que aqueles que vemos sendo executados mundanamente, conquanto materialmente grandiosos como, por exemplo, as sete maravilhas do mundo, entre as quais figuram as pirâmides do Egito.

Enquanto Faraó sonhava com suntuosos monumentos construídos com os tijolos sacrificialmente produzidos pelos Hebreus, uma mulher foi encorajada a sonhar. Joquebede, a mãe de Moisés, transcendendo as adversidades do contexto opressor em que estava inserida, concebeu, gerou, nutriu e escondeu o recém nascido por três meses, até que não mais podendo ocultá-lo...

· Êxodo 2:3 – CALAFETOU E BETUMOU UM CESTO - Deus quer usar o homem em Seu plano. Mas não podemos simplesmente sonhar inconsequentemente. Temos o dever de projetar e criar estratégias para viabilizar o sonho, para materializá-lo concretamente.
Jesus também valorizou o planejamento, quando ensinou parabolicamente a importância estratégica dos planos, com a imagem de um rei ou general que, vendo vir contra ele um exército mais numeroso, assenta-se e avalia se tem meios de vencer, do contrário envia embaixadas que apresentem condições de paz ao adversário. Ficou ilustrada ainda a tática de quem quer edificar uma casa: este tal deve assentar-se e verificar se terá os recursos para acabá-la, do contrário será alvo de chacota por parte dos passantes que, ao contemplarem a obra inacabada, menearão a cabeça e dirão: “_ começou a obra, porém não teve como concluí-la”. Todos temos muito a aprender com isto, não?

LARGOU-O NO RIO - "o sonhar é do homem, mas o realizar é de Deus". Se os sonhos são inspiração de Deus, o controle deve estar nas mãos Dele! Não devemos estar ansiosos com o desenrolar dos fatos.

Provérbios 16:9 diz: “Do homem são os planos, mas Deus é quem lhe dirige os passos”. Isto quer dizer que nos é lícito sonhar e acalentar esperança, porém ao pretender materializar nossos sonhos, não podemos prescindir da direção de Deus a cada passo.

Êxodo 2:4 - A irmã do menino (Miriã) representa a intercessão. Devemos lembrar de que é a oração que move a mão de Deus na viabilização de nossos sonhos. Para termos a visão de Deus, necessitamos desenvolver nossa intimidade com Ele. Relacionamento é a tônica aqui. Não podemos pretender colher resultados em contatos esporádicos e superficiais, sem envolvimento, sem compromisso.

Como Miriã, devemos acompanhar a evolução, o andamento e as providências indispensáveis à consecução do plano, para interceder no momento oportuno. Deus já havia providenciado a salvação para o menino, através da acolhida dada a ele pela filha de Faraó. O fato de ter sido a irmã a intercessora, abre-nos a perspectiva de compartilhamento de nossos sonhos com o nosso próximo, com vistas a agregarmos sua intercessão em favor de nossos projetos.

Êxodo 2:7-10 - Deus nos surpreende sempre, mesmo quando sonhamos os planos de Deus mesmo, pois não conseguimos contemplar a grandiosidade de Sua obra, em que os obstáculos que nos aparecem servem para glorificar o nome do Senhor.

Porém, em função da intercessão de Miriã, foi dado à mãe legítima de Moisés (Joquebede) a prerrogativa de criá-lo e educá-lo durante o período de amamentação, com a benção adicional de ainda ser paga, assalariada para isso. Uma intercessão competente e comprometida há de viabilizar a superação de todas as expectativas. É fundamental tributar a Deus a glória devida exclusivamente ao seu nome, não lhe usurpando os méritos pelos resultados como se fossem frutos de nossa pseudo-competência.

Hb 11:24 - Quem foi Moisés? Assim como esse menino, os planos de Deus trazem libertação, orientação e aliança com Deus. Há sempre um propósito divino a ser cumprido, mesmo quando nos é facultado sonhar, devemos ter sempre em perspectiva a nossa sujeição à soberania divina.

É um privilégio natural do homem sonhar, posto que os animais não têm a faculdade de projeção mental, mas nós precisamos conceber os formosos sonhos de Deus. Também devemos saber que as nossas vidas já são um projeto de Deus, pelo que devemos perseguir com pertinácia, intrepidez e ousadia o propósito divino em nossa vocação e comissionamento para a missão que nos for designada por Ele.

Para tanto, nossos sonhos devem ser formosos do ponto de vista de Deus, precisam ser gerados a partir da inspiração do alto, já que todo dom perfeito vem do céu; hão de ser cuidados e cultivados com persistência, comprometimento e fé, para serem entregues aos cuidados da providência divina, cujo propósito último é sempre a glória de Deus.

[1] Missionária comissionada pela SIBPP no navio LOGOS2
http://www.sibpp.org.br

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