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terça-feira, 10 de março de 2009

A arte de conviver

- "Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas...".

Com estas palavras, o Mestre convida seus ouvintes a fazerem uma reflexão sobre a vida, na dimensão dos seus relacionamentos e das convivências, inclusive as que nos são hostis.

Conviver é uma arte. É desafiador, dia após dia, caminhar lado a lado (e trabalhar também), com pessoas cujos sentimentos são obscuros, cujas atitudes nos inspiram insegurança, e em cujas palavras não conseguimos confiar. É desafiador e incômodo. Os nossos relacionamentos têm um custo-benefício. Têm, portanto, um preço a ser pago. Há uma pergunta que emerge da consciência dos que querem uma vida melhor: Quanto custa viver em paz? Qual o preço que devemos pagar por uma convivência salutar?

Três atitudes do espírito humano amenizam os custos das convivências desgastantes e geram benefícios incalculáveis no contexto dos nossos relacionamentos. São elas: *a humildade, a resignação e o perdão.* Nenhuma teoria psicológica sobre relacionamentos humanos pode prescindir destas virtudes espirituais.

Por que a humildade? Porque ninguém é nada nesta vida. É a bondade de Deus que nos mantém vivos. Só os humildes são realmente grandes, exatamente porque jamais se sentem como tais. É a humildade que enobrece a natureza humana e lhe confere dignidade plena. Jesus Cristo desafiou: - "Quem quiserser o maior, seja o menor...". Na maratona da vida a humildade é o primeiro passo para a segunda milha, que é a trajetória dos vencedores. É caminhar sem pisotear outros. Crescer, e deixar que outros cresçam também.

Na maratona da vida, a segunda milha é também o desafio da convivência com aqueles aos quais não podemos mudar, e, contudo estão em nosso caminho. Por isso, um segundo preço a ser pago será a resignação. Ela é a ciência do espírito que nos ensina a lidar com o imutável e com o inevitável. Há pessoas que jamais mudarão, por nossa causa. Há situações que são irreversíveis. Nesses casos, o segredo é aceitar o que não pode ser mudado para possibilitar uma convivência sadia, sem o veneno da revolta e da rejeição.

Finalmente, o percurso da segunda milha exige a experiência do perdão. Sem o perdão, os relacionamentos não progridem e a vida fica estagnada nos impasses que se formam ao longo de nosso caminho. Perdoar é, antes de tudo, uma decisão do espírito. Só os fracos não perdoam. A soberba e o orgulho nada mais são do que sintomas de fraqueza, disfarçados numa vã presunção de força. Não perdoar é negar à vida aquilo que ela tem de mais significativo: a arte de construir relacionamentos, fazer amizades e plantar a paz.

A vida pode ser comparada a uma grande maratona com muitas milhas a serem percorridas. A segunda milha será sempre aquele momento necessário para se retomar o fôlego da vitória, que será alimentado pela humildade, a resignação e o perdão. Por isso, a segunda milha é o percurso dos vencedores. Ninguém se perde nesta rota!

*(Estevam Fernandes de Oliveira, Pastor da Primeira Igreja Batista de João Pessoa, PB, é Psicólogo Clínico e Terapeuta Familiar, conferencista nas áreas de Família e Liderança; mestre e doutor em Ciências Sociais. Texto extraído do Jornal Correio da Paraiba, edição de **Domingo, 11 de Janeiro de 2009* *e divulgado entre amigos com autorização do autor).*

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