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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Natal

Por Lamércio Maciel Braga A família e amigos reuniram-se na sala, em torno da árvore de Natal, ricamente ornamentada. Embora artificial, a folhagem verde realçava à luz das lâmpadas que piscavam incessantemente. O chão estava coberto de presentes que seriam entregues à esposa, filhos, netos, genros, nora, parentes e a alguns amigos convidados para a celebração da ceia, um acontecimento que repetimos há trinta e sete anos. Sempre festiva e farta, a nossa comemoração natalina supera-se a cada ano. Os participantes comiam e bebiam alegremente, ao som de belas melodias. O momento era alegre e fraternal. Conversávamos amenidades, narrávamos episódios interessantes da vida, relembrávamos vitórias pessoais, acontecimentos marcantes, compartilhando-os com os amigos, que vibravam com o nosso êxito como se igualmente lhes houvesse acontecido. Éramos felizes naquela noite festiva! Algumas pessoas conversavam à beira da piscina de águas azuis, iluminadas por luzes cintilantes. Apenas as estrelas ofuscavam o brilho da festa, sob o olhar misericordioso do Menino-Deus, do Deus-Homem, do Deus-Pai, que nos contemplava cheio de amor, sem qualquer distinção. Não nos esquecemos do aniversariante, como, às vezes, acontece em festividades realizadas na véspera do Natal. Antes da ceia, à meia noite, após a troca de presentes, realizamos breve instante de meditação, depois da leitura no Evangelho de João, capítulo primeiro, versículo quatorze, que diz: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheia de graça e de verdade”. Oramos em seguida, certos dessa verdade –– Jesus ––, que veio a nós como dádiva imerecida. Abraçamo-nos, desejando-nos, mutuamente, um Feliz Natal. Depois, nos fartamos da deliciosa ceia preparada para a ocasião. Naquela hora, de tanta fartura, de relativo excesso, esqueci-me do meu semelhante. Não me lembrei do pobre desempregado, sem comida, sem lençol e sem teto para suavizar a fome, amenizar o frio e abrigar-se da chuva. Não o imaginei sem amigos para compartilhar as alegrias ou o sofrimento, sem remédio para curar-lhe a dor e, tampouco, o vi sem esperanças futuras. Também não pensei no indigente sofrido, sob os viadutos das grandes cidades, das crianças órfãs, dos anciãos em asilos carentes, dos meninos de rua. Sequer imaginei que estivessem com fome, naquela hora em que nos fartávamos de finas iguarias. Não ouvi o ronco dos seus estômagos vazios nem a voz de suas súplicas. Pouco adiantará se apenas por ocasião do Natal eu me dispuser a ajudar os pobres, fazer-lhes pequeno afago, mitigando-lhes as aflições. Depois da pequena esmola que lhes der, inicia-se novo período de necessidades em suas vidas. Terei de praticar essas atitudes no dia a dia, ao ver ou ouvir o sofrimento de um doente, o choro de uma criança faminta ou o gemido de um velho moribundo. Errei em não dar atenção aos necessitados, durante o ano. Temo que me tenha acontecido o que disse o aniversariante, há quase dois mil anos: “E por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará”. Não deixe que isso aconteça. Não com você!